Segurança pública, ideologia e voto

Larissa Mendes*

Muitos eleitores têm levado em consideração propostas que estão ligadas à segurança pública. E podemos perceber que as propostas variam de acordo com os partidos políticos, que carregam em sua história uma ideologia. Seja ela voltada ao alinhamento da polícia militar em áreas escolares, armamento da guarda-municipal e até mesmo criação de grupo de WhatsApp com os guardas metropolitanos para atender ocorrências. Por outro lado, podemos perceber que ao procurar nas propostas de campanha de partidos de oposição, a estratégia para conter os índices de criminalidade são outros, como investir em mais acesso à educação, e também, voltam suas campanhas para a geração de emprego como estratégia para conter a
violência.

Portanto, qual é a importância do nosso voto e por que devemos saber as
propostas dos candidatos que pretendemos votar? Nosso voto atua diretamente na nossa esfera do cotidiano e é através dele que determinamos as prioridades que serão implementadas no município, ou seja, como o futuro prefeito destinará a verba, quais eram suas prioridade de campanha, se eram voltadas a destinar parte da verba à hospitais públicos, escolas públicas ou medidas de incentivos para a população. E além disto, quando há promessas proferidas, o eleitor tem direito de cobrar para que essas propostas sejam de fato realizadas.

Em uma análise das propostas de campanha dos candidatos à prefeitura
coletadas pelo vota aí! podemos perceber as variações de campanha de cada
partido, principalmente no que tange o tema de segurança pública. Exemplos disso são alguns partidos de direita: 1) Implantando um sistema de segurança e vigilância presencial em todas as escolas [Guarda Escolar] (Amazonino Mendes – PODE/Manaus); 2) Recriar a força tarefa nos conjuntos habitacionais, com o monitoramento em vídeos, e informantes diretos em grupo residencial para diminuir a insegurança na Cidade (Jaidy Oliveira de Sousa – DC/Natal); 3) Sistema de grupos de segurança pública via WhatsApp com a presença de Guardas Metropolitanos para orientação e atendimento de ocorrências (Vanda Monteiro – PSL/Palmas); 4) Vamos buscar integração da Guarda Municipal com a Brigada Militar e outros órgãos de segurança estaduais e federais, e aprofundar o uso da tecnologia no combate à criminalidade (Sebastião Melo – MDB/Porto Alegre).

Em contrapartida, os partidos de oposição tidos como partidos de esquerda,
concentram suas propostas em mais acesso ao mercado de trabalho, investimento nas escolas públicas e medidas de acesso à cultura e lazer como estratégia para reduzir a criminalidade. Exemplos disso são alguns partidos de esquerda: 1) Lei de responsabilidade SOCIAL: tem que ser punido é o governante que não aplicar o que é devido em saúde, educação, creches, moradia, saneamento, em todas as necessidades básicas do povo (Julio Flores – PSTU/Porto Alegre); 2) Organização da classe trabalhadora e dos setores populares nos locais de trabalho, estudo e moradia, organizando a luta pelos direitos sociais (Thiago Santos – UP/Recife); 3) Criação de empregos através de um plano de obras públicas necessárias, como saneamento básico, postos de saúde, escolas a serem construídas por uma
empresa municipal de obras 100% pública e estatal, controlada pelos trabalhadores (Claudia Ribeiro – PSTU/Recife); 4) Implantar o Programa Escola Ativa (parceria ONU) nas Escolas de Ensino Fundamental, transformando as escolas em espaços onde as atividades físicas cotidianas e as práticas corporais – no esporte, na dança, na ginástica, na expressão corporal – sejam tratadas como um capital para a vida (Socorro Neri – PSB/Rio Branco).

É através do conhecimento das propostas que, os eleitores podem definir seu voto e julgar aquilo que mais se adequa a sua forma de pensar, traçando assim, a definição do seu voto. Por isso, acompanhe o site e veja as demais propostas dos candidatos à prefeitura do seu município. E, ainda, o quiz do Vota Aí! pode te auxiliar no conhecimento destas propostas e ajudar na hora de decidir seu voto.

 

*Larissa Mendes é graduanda em Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro e estagiária do grupo de pesquisa DOXA (IESP-UERJ).